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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

IMAGÉTICO E LINGUÍSTICO NA TESSITURA DO IMPLÍCITO DA PROPAGANDA


A proposta de estudos IMAGÉTICO E LINGUÍSTICO NA TESSITURA DO IMPLÍCITO DA PROPAGANDA teve sua publicação confirmada pelos professores doutores Antonio e Ximena, organizadores do evento.
 
15ª JORNADA INTERNACIONAL DE ESTUDOS LINGUÍSTICOS E LITERÁRIOS – “Literatura, Linguagem e Multiculturalismo - Veredas do imaginário e Cartografias da Memória”, foi realizada na Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Campus de Marechal Cândido Rondon, nos dias 20 a 23 de junho de 2012.


FICHA CATALOGRÁFICA

Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP)
(Biblioteca da UNIOESTE – Campus de Mal Cândido Rondon – PR., Brasil)
Elaborada por Helena Soterio Bejio CRB-9ª/965


 
Jornada de Estudos Linguísticos e Literários (15. : 2012 : Marechal
J82l Cândido Rondon – PR)
Veredas do imaginário e cartografias da memória: anais / Organização de Antonio Donizeti da Cruz; Ximena Antonia Díaz Merino – Marechal Cândido Rondon : Digital TVD, 2012.
Cd-Rom
ISSN: 2237-3292
1. Literatura – Anais. 2. Ensino – Anais. 3. Literaturas estrangeiras. 4. Linguagem. 5. Linguística 6. Línguas I. Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Centro de Ciências Humanas, Educação e Letras. Colegiado do Curso de Letras. II. Título.
CDD 22.ed. 400
800
CIP-NBR 12899
 
 
IMAGÉTICO  E  LINGUÍSTICO  NA  TESSITURA  DO  IMPLÍCITO  DA  PROPAGANDA



 
Elizete Inês Paludo (PG-Unioeste)
Aparecida Feola Sella (Orientadora-Unioeste)
 
RESUMO:  O presente estudo procura verificar como se tecem as relações discursivas no gênero propaganda, tido como um discurso capaz de resgatar outros discursos dando a eles outra roupagem, transformando a intertextualidade num mecanismo de persuasão linguística, com efeitos de sentido sobre o agir e pensar humano. Sob o respaldo teórico de Koch (2010) e outros estudiosos no assunto, pretendeu-se demonstrar que o conceito de propaganda está atrelado ao de interação, o que levou o estudo ao patamar da leitura como forma de relacionamento com a informação. Buscou-se analisar mecanismos de uso da linguagem com artimanhas persuasivas que potencializam a manipulação. A relevância deste estudo está na verificação de como o entendimento desse gênero pode contribuir para o ensino não somente do texto escrito, de circulação em mídia impressa e internet, mas também para a reflexão sobre o funcionamento da linguagem. Esta pesquisa centrou-se no perfil do corpus, uma propaganda da Nestlé, cuja base está na persuasão. Portanto, foi a partir do corpus de análise, do imagético ao linguístico, que se constituiu o dispositivo teórico, buscando perceber as relações de sentido no espaço do implícito e o funcionamento da categoria intertextualidade.
 
Palavras-chave: Ensino; Intertextualidade; Propaganda.
  
INTRODUÇÃO
Este artigo faz parte do conjunto de atividades desenvolvidas junto ao Programa de Desenvolvimento Educacional, no período de 2010 a 2012, em Linguística Aplicada e Ensino de Língua Portuguesa. O projeto implementado com alunos de 7ªSérie/8ºAno do Colégio Estadual Wilson Joffre - Cascavel - PR parte da constatação da dificuldade dos alunos em entender a constituição dos textos escritos, principalmente aqueles produzidos na mídia. Ao voltar-se para este problema, se tem como meta envolvê-los em estudo sobre a constituição da propaganda nas interações sociais. Nesse intuito, se busca refletir como o gênero resgata outros discursos dando a eles outra roupagem, transformando a intertextualidade num mecanismo de persuasão. Observa-se, assim, a importância de voltar um olhar crítico à tessitura do texto propagandístico por compreender que nesse discurso se entrecruzam interesses distintos, os quais devem ser percebidos pelos leitores em potencial. Essa voz de comando, que orienta para um “dever” se torna mais evidente quando se pensa no aprendizado dos alunos do ensino fundamental. Acredita-se que um projeto educacional comprometido tenha como papel garantir ao aluno espaço para expor suas ideias, no sentido de construir seu discurso e entender a produção de sentidos em outros discursos, apoiado em saberes linguísticos necessários para vencer os desafios impostos pelos meios de comunicação ao ensino da língua portuguesa nos dias atuais. Sob as orientações teóricas que embasam os estudos, esta proposta possibilita o conhecimento do gênero propaganda como construtora de sentidos, entendendo a leitura como forma de desvendamento da informação. Enfoca-se um dizer implícito, perceptível a partir do reconhecimento de determinados mecanismos persuasivos de uso da linguagem, capazes de potencializar a manipulação. Para a constituição do corpus foi selecionada uma propaganda, cuja base está na persuasão. Foi a partir do corpus de análise, do imagético ao linguístico, que se constituiu o dispositivo teórico, buscando perceber relações de sentido no espaço do implícito e o funcionamento da categoria intertextualidade.
A relevância dessa produção se sustenta na verificação de como o entendimento desse gênero pode contribuir para o ensino do texto escrito, de circulação em mídia impressa e internet, por meio dos princípios paradigmáticos imagético e verbal. Espera-se que este estudo possa servir de apoio ao professor, considerando-se a situação em sala de aula e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento de habilidades que fortalecem a formação de alunos, para reconhecer em dizeres camuflados a formação de pontos de vista recuperáveis pelo processo interpretativo. Enfim, não se pretende aqui apresentar considerações como esgotadas ou como as únicas possíveis, uma vez que toda análise empreendida pode revelar-se passível de novas formulações conforme surjam novas realidades sociais ou avancem estudos capazes de inferir olhares mais determinantes para práticas educativas significativas no ensino.
 
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FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
 
Estudos realizados por Gomes (2007) em torno do poder que a linguagem pode exercer na vida das pessoas apontam para a ideia de que o ser humano, com uma incrível habilidade de comunicação, “tem o poder de 'entrar na mente' de outro ser humano, despertar curiosidade, aguçar imaginação, manipular ideias, mudar atitudes, gerar conflitos, apenas com o uso da palavra”.
Outro aspecto importante nas análises feitas por Bakhtin (1998) destaca a existência de uma pluridiscursividade - de vozes, línguas e discursos - decorrente das contradições sócio-ideológicas que se entrecruzam formando novos 'falares' com valores sociais que costumam ter efeito sobre as construções linguísticas.Com base nessas observações, entendemos que as ações humanas são situadas historicamente e atravessadas por convicções pessoais de seus autores a partir dos desafios que a realidade apresenta e que, num mundo tão competitivo como o atual, tentar formar ou mudar a opinião do outro é prática constante, pois a intenção de persuadir se faz presente nos mais variados discursos, mesmo que de maneira não explícita. Revela-se a língua capaz de construir os sentidos atribuídos por cada cultura às pessoas por meio da linguagem que exerce poder de se impor na identidade cultural e nas habilidades de vincular o linguístico e o imagético na formação de pontos de vista rendidos muitas vezes não no patamar do dito, mas no espaço do implícito, do recuperável a partir de determinado modo no processo interpretativo. Essa constatação dá respaldo para concluirmos que são necessárias atitudes para além do senso comum nas atribuições de sentido ao mundo que implicam em influenciar ou ser influenciado.  Na  recusa  de  sermos  afetados pelas  mensagens contemporâneas que permeiam os processos enunciativos de organização do poder, diferentes habilidades de linguagem passaram a ser necessárias, entre elas, a atribuição de sentido a mensagens oriundas de múltiplas fontes de linguagens. Essa constatação tem respaldo em Martins (1984), quando pede ao leitor maior esforço para compreender a linguagem e exercitar a memória no enfrentamento de forças ideológicas que sustentam discursos em processos de direcionamentos de sentidos. Consoli (2007, p. 06), nesta linha de pensamento, comenta  que  a  escola  deve  reconhecer  o  papel  da mídia na formação de seus educandos, pois “valores éticos e estéticos, políticos e ideológicos perpassam muitas de nossas propagandas ocasionando por vezes mudanças comportamentais provocadas pelo bombardeio de produtos midiáticos”. O  impacto  desse  gênero  na  vida  do  aluno  pode  se  refletir na maneira de pensar e agir por meio de textos pretensiosos, sedutores e bem elaborados em que são utilizados aspectos curiosos como é o caso dos “recursos gráficos (grafias inusitadas para ativar a memória), fonéticos (onomatopeias, aliterações), léxico-semânticos (novos termos, polissemia, denotação ou conotação) e morfossintáticos (flexões diferentes ou sintaxes audaciosas)”.
Os estudiosos mencionados mostram o quanto é importante que o aluno aprenda a não ter a leitura como verdade inquestionável e passe a desconfiar mais daquilo que lê. Trata-se de ato que implica pesquisa para saber mais e, consequentemente, ter as próprias convicções do que reconhece como verdade. A respeito do ato de ler além da escrita, Martins (1984) argumenta que, além do gesto mecânico de decifrar os sinais, é preciso que uma conjunção de fatores pessoais com o momento, o lugar e as circunstâncias comecem a fazer sentido. A leitura, portanto, precisa ser considerada como um processo de compreensão de expressões formais e simbólicas,  não  importando  por  meio  de  que  linguagem. Para Tasso (2011, p. 116), há na materialidade discursiva dos textos inúmeras estratégias que envolvem aspectos verbais, visuais e sonoros, cujos “valores simbólicos intervêm cultural e socialmente na constituição dos sujeitos”, o que possibilita refletir sobre os modos como estes se encontram nela representados, talvez ao sofrer consequências desses discursos sem a percepção disso. Assim, para ler as mensagens contemporâneas, é preciso entender as modalidades verbais e não-verbais, além de perceber os sentidos nelas implicados. Entendemos que este seja um dos desafios do professor de hoje: saber lidar com textos capazes de provocar mudanças na vida das pessoas.
Verificamos que, na época atual, com a globalização, as comunicações se dão por formas mais rápidas e intensas. Com isso, formas de socializar informações e hábitos humanos sofrem alterações. Tal mudança é perceptível nos costumes e falas que se alteram continuamente numa velocidade incrível. Conforme ressalta Pretto (2004, p.10), o poderio da perspectiva econômico-financeira da globalização tem deixado de lado aspectos fundamentais para se entender a proliferação de imagens (nas mais diversas formas) e suas relações com a cultura; dá a impressão de que se consome a realidade em pequenos “pedaços”, o que torna mais difícil compreender seus ajustes fragmentados e complexos e faz pensar nas ameaças dessa ficcionalização sobre o imaginário coletivo. Dessa forma,
 
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nos norteamos na concepção de que toda linguagem é reveladora de intencionalidade, embora que submetida à voz de quem a produz. Citelli (2006, p. 36) alerta sobre o discurso neutro que, de certa forma, autorizado pelas instituições, acaba por determinar uma série de condutas pessoais: “Se é neutro, ninguém o produz; se científico, ninguém o questiona. Quem fala é o Ministério da Fazenda, por meio do seu corpo técnico; a Sociedade Médica pelos doutores membros; a corporação multinacional por meio de seus executivos etc”. Esse recurso linguístico poderoso faz parte de construções alternativas nos dias atuais e acaba por interferir na produção de sentidos. Segundo Oliveira (2005, p. 19), “como formador de opiniões, valores e ideologias, passa a ter grande responsabilidade pela formação de um novo conceito: a sociedade de consumo”. No contexto brasileiro, conforme alerta Silva (2011, p. 36), “essa linguagem especializada em nos vender sonhos em forma de mercadorias, tem presença bastante significativa, pois envolve investimentos anuais superiores a 16 bilhões de dólares (48,1% de todo o investimento em mídia no Brasil)”.
A propaganda, para chegar à sociedade de consumo da atualidade, passou por importantes mudanças e grandes investimentos. Sua eficácia se comprova pela capacidade de persuadir pessoas a determinadas ações, como: aceitar uma ideia, concordar com um ponto de vista, mudar uma atitude, decidir a respeito da necessidade de algo, comprar um produto, aderir a uma causa social. Nesse intuito, utiliza-se de estratégias eficientes, bem planejadas, inovadoras e criativas. E ainda, conforme explica Silva (2011), se apropria de uma comunicação fragmentada para convencer. Para Oliveira, Azevedo e Nascimento (2008, p. 121), conquista espaços e influencia as pessoas porque “explora, de forma peremptória os recursos responsáveis pela tessitura persuasiva do texto, pois a argumentatividade é própria do uso da linguagem e fator básico que subjaz à organização de todo e qualquer discurso”.
Segundo Nascimento (2009, p. 46), essa linguagem tendenciosa pode ser capaz de modelar atitudes e estilos de vida no mundo contemporâneo por refletir, no poder de sua linguagem, a expressão das épocas e do modo de viver das pessoas. Numa proporção maior, “constituindo-se como um mecanismo global onisciente e onipresente, tornou-se importante fonte de financiamento para toda imprensa não custeada pelo Estado, mas que dela necessita para sobreviver”.
Nos dias atuais, grandes potências se destacam na economia mundial, interessadas em consumidores de várias culturas, sempre com inovações de ideias ou produtos. Ao fazerem uso de uma linguagem tão atraente e convincente, torna-se difícil viver sem se deixar influenciar pelos fortes apelos ao consumo. Dessa forma, acreditamos que pela análise dos aspectos verbais e não-verbais da língua as intenções textuais desse gênero podem se tornar mais claras. Nesse sentido, Abaurre (2010) esclarece que muitos são os anúncios divulgados com a associação texto/imagem, por surtirem grande efeito de sentido como referência norteadora ao público-alvo. Outro aspecto importante está na exploração dos sentidos duvidosos de palavras e expressões ambíguas ou polissêmicas que, por serem capazes de inverter o sentido original dos termos, induzem a outras conotações ou conceitos, visando ações determinadas. Como a estruturação linguística deste gênero destina-se a garantir credibilidade nas ações pelos comandos implícitos do texto, na interação que pode ter a intenção de informar sobre o produto ao mesmo tempo em que modificar comportamentos, possibilita-se que a propaganda revele como característica principal a reestruturação contínua, capaz de evitar a padronização e favorecer o desenvolvimento do potencial criativo. Buscamos compreender a complexidade dessa tessitura textual que se mostra capaz de prevaricar sobre os demais discursos como um ato de persuasão em potencial. Cada texto traz nova formação discursivo-ideológica do produtor que se faz conhecer por meio de sua fala. Opina ao se expressar e, apesar de “não o querer”, ao diminuir a ambiguidade e a polissemia, resulta numa persuasão dirigida porque guia a assimilação e compreensão de quem lê. Ocorre que, nos dias atuais, por vivermos numa era centrada na exploração de aspectos emocionais, nem sempre conseguimos detectar as “armadilhas” capazes de  induzir ao consumo.
Segundo Abaurre (2010), quando não se é proficiente o bastante na leitura é pela interação que se dá a compreensão. No entanto, conforme esclarece Koch (2009), a capacidade para estabelecer o sentido tem limites variáveis que dependem da situação e de fatores diversos, ligados a habilidades do receptor para calcular o sentido do texto, que depende do conhecimento de outros textos. Essa constatação ganha respaldo em Bakhtin (2003, p. 328) quando afirma que a palavra não faz sentido se entregue somente ao falante, pois “o ouvinte também tem os seus direitos”. Mas, para que o sujeito seja convencido a consumir, o discurso persuasivo do sujeito manipulador pode apoiar-se em modalidades como as que seguem: tentativa de manipulação pela oferta de objetos de valor positivo ou pela ameaça, com destaque a valores negativos; ou ainda em modalidades do saber como a
 
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aprovação, provocada pela sedução, quando busca encantar tomando como referência juízos de pessoas autorizadas – pela profissão, por exemplo – a dizer o que dizem. Conforme Kleiman (2004, p. 55), para a não-manipulação, o leitor precisa se fundamentar “não em uma leitura autorizada, mas na análise crítica dos elementos da língua que o autor utiliza para conseguir o que ele tenciona conseguir”. Ainda a esse respeito, cabe ressaltar que o professor pode auxiliar o aluno a perceber as relações entre diferentes partes do texto para construir um sentido global coerente. Habilidades que vão desde a capacidade de usar o conhecimento gramatical até a percepção das relações entre palavras, com capacidade de usar o vocabulário para perceber as estruturas textuais, atitudes e intenções. Mas, para que a leitura passe a fazer sentido, não é suficiente analisar como a linguagem funciona no texto, mas também como está a serviço das intenções do autor, deve ser uma conscientização sobre os usos e abusos da linguagem. Quando se conhecem diferentes mecanismos de leitura, são mais perceptíveis as atribuições de intenções pelo autor nas abstrações intrínsecas de suas produções. Dessa forma, acreditamos que o texto da propaganda possa ser menos ameaçador ao interferir no modo de pensar e agir das pessoas. Por isso, neste estudo, procuramos verificar a distinção entre intertextualidade explícita e implícita, tida como uma das importantes formas de constituir persuasão. Consideramos como processo intertextual a interação entre textos e a rearticulação de seus elementos, pela citação de discursos combinados com estilos já consagrados ou ressignificados por novos contextos, capaz de possibilitar construções linguísticas consideradas eficientes a fins determinados.
Para Koch (2010, p. 87), a intertextualidade pode se dar de forma explícita, quando há citação da fonte, ou implícita, na manipulação que o produtor opera sobre o texto alheio, ou o seu próprio, para produzir efeito de sentido (recurso muito usado na publicidade, canção popular, literatura ou para se produzir humor). Mas, para a construção do sentido, espera-se do leitor o conhecimento sobre composição, conteúdo, estilo e propósito comunicacional dos diversos gêneros textuais. Numa propaganda, por exemplo, a imagem pode interagir com o título e assim por diante. Como a intertextualidade implícita faz parte de discursos ideológicos, ao acionar diversos meios de interação é que se possibilita fazer a coerência textual. Isso significa que um enunciado como “Os últimos serão os últimos” exige do leitor conhecimento de mundo suficiente para perceber que se está fazendo relação como o enunciado “Os últimos serão os primeiros”, utilizado no âmbito religioso, para fazer alusão ao desnível social que reprime o pobre. O mesmo tipo de abordagem sobre o intertexto é adotado por Felberg (2010, s/p). De acordo com ela, há “certos tipos de citações (literais ou construídas) e de alusões muito sutis que só são compartilhadas por um pequeno número de pessoas”. É o caso de textos que podem remeter a uma “forma e/ou a um conteúdo bastante específico, percebido apenas por um leitor/interlocutor muito bem informado e/ou altamente letrado”. Passa a não ter sentido para o leitor que não depreende a informação pelo processo interpretativo. No caso da propaganda, a linguagem estrutura-se de um leitor geral para um leitor alvo (não é à toa que se identifica tal leitor como público-alvo) de uma forma que a informação intrínseca seja absorvida, mesmo por leitores pouco proficientes. Para que se possibilite o reconhecimento do implícito em construções textuais audaciosas e complexas, Koch (2009, p. 103) sugere para o trabalho do professor a opção pela perspectiva textual-interativa em detrimento do ensino tradicional de gramática “como um fim em si mesmo” pois, para o aluno seria mais relevante aperfeiçoar a capacidade de lidar com a língua que ele já domina ao chegar à escola e “ser capaz de interagir com variedades distintas de língua, inclusive a norma chamada culta que, pelas regras de nossa sociedade e cultura, considera-se a adequada em determinadas situações”. No entanto, a escolha e a utilização dos recursos linguísticos advêm de intenções que podem ser perceptíveis em fatores textuais, ideacionais e interpessoais, nas diversas maneiras com que as ideias se relacionam.
Para Sella e Corbari (2009, p. 36), a captação das intenções por parte do leitor requisita o reconhecimento das marcas linguísticas presentes nos textos. Essa premissa rende a avaliação de que “o texto se organiza em função do interlocutor, o qual determina, com atitude responsivo-ativa, o quê, o como e o para quê dizer”. De acordo com Ilari e Geraldi (1990), as diversas possibilidades de interpretação estão vinculadas ao conhecimento de mundo e linguístico e, muitas vezes, estão atreladas à estrutura sintática ou ao processo de interação. Como o texto publicitário volta-se para a captação da atenção do consumidor por meio de inúmeras estratégias persuasivas na busca de fazer sentido, constitui-se em espaço de vinculação de estratégias, no qual o ambíguo e o polissêmico rendem formas de captura da adesão. Enunciados ambíguos sugerem leituras diferenciadas, praticamente motivadas no interior do linguístico; da mesma forma, o teor polissêmico vincula-se a estratégias que levam à persuasão.
 
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Mas o processo de interpretação está atrelado a pistas que devem ser buscadas pelo leitor. Este, ao investigar mensagens dotadas de alguma complexidade, deve ir além dos dados que não se manifestam claramente ou não esclarecem os mesmos aspectos dos dados e pode aprimorar o conhecimento em leitura, mas com metas e empenho para atingi-lo. Tomando por base tais constatações e por considerar que as coisas aparentemente “não ditas” importam na produção daquilo que somos, destacamos a importância da percepção do imagético no ato da leitura. Passamos a considerar a necessidade de uma leitura que dê condições para ler os fatos da vida que se apresentam diante dos nossos olhos, muitas vezes desatentos, para além do senso comum.
Quanto à representação imagética da língua, Consoli (2009, p. 06) destaca fatores consideráveis dessa estrutura textual como a expressão da era atual em que “a imagem permite a comunicação com velocidade e alcance muito maiores do que apenas a letra num papel”. Por outro lado, deve-se ainda lembrar que “aliado ao texto e ao visual, por trás da propaganda, há sempre um momento, uma história, uma intenção, uma postura, determinando a produção da mesma e esses pontos aparecem refletidos nela”. A rede semântica, neste caso, “é construída por meio de associações de palavras, que têm o intuito de entreter o leitor e facilitar a memorização da mensagem”. Como argumenta Nascimento (2009, p. 36), aliada à eficácia da palavra, a imagem causa impacto e suscita a adesão do público-alvo numa inter-relação que vai além da representação do produto e se dá em estágios que compreendem o processo cognitivo (presta atenção à mensagem), afetivo (passa a sentir alguma emoção, desejo ou simpatia pelo que é anunciado) e comportamental (a resposta se dá pela experimentação daquilo que se comunica). Cumpre ressaltar que todo envolvimento no sentido de suscitar no público uma ideologia, capaz de fazê-lo associar uma imagem ao produto anunciado se liga fortemente a laços emocionais que os indivíduos estabelecem uns com os outros, tanto no que diz respeito aos componentes linguísticos como aos visuais. Isso porque o processo manipulatório se baseia na recorrência a um sistema de valores apoiado no conhecimento de que todo consumidor só aceita algum produto, marca ou serviço, quando estes se tornam lugar onde circulam os valores que lhe são caros. Nesse sentido, o discurso veiculado pela propaganda merece ser melhor analisado, pois visa leitores que concordem com os textos sem que os reflita criticamente e por ser um dos mais influentes tipos de discurso da sociedade contemporânea. Assim, marcas conhecidas mundialmente se apropriam desse recurso como meio de chamar a atenção e estimular a venda de seus produtos. Apartir desse instante, nossa análise se voltou para a constituição do corpus. Por considerarmos o aluno como sujeito do seu próprio desenvolvimento intelectual, as atividades visaram a análise de componentes fundamentais para o ato de compor e para a verificação de discursos que se transformam e se encaixam em outros textos estabelecendo cadeias de relações com eles. Centramo-nos na análise de aspectos intertextuais da língua, por considerarmos os diversos gêneros e discursos que, num processo evolutivo contínuo, perpassam a tessitura textual de forma combinada e com fins determinados.

 
ANÁLISE DO CORPUS
 
A propaganda que serviu de corpus foi analisada a partir das seguintes fontes:
 
 
Em alguns momentos privilegiamos um estudo mais voltado ao linguístico ao observar as  amarrações (a tessitura) existentes no texto da propaganda corpus da análise. Em outros, exploramos os meios persuasivos de organização textual, num trabalho direcionado para o imagético (linguagem que incorpora elementos simbólicos, como: música, pintura, culinária, vestuário, gestos...). Isso ocorreu por percebermos na composição do gênero em estudo a retomada dos gêneros: História em Quadrinhos, Conto de Fadas e Cartão-Postal, além da alusão a jogos e brincadeiras. Assim optamos por verificar como os aspectos visuais e verbais da propaganda compõem a intertextualidade, também para se perceber como os estímulos visuais criados por esse gênero são capazes de atrair a atenção do público-alvo e tornar essa linguagem verbo-visual comercializável. Investigamos  na propaganda os gêneros resgatados pela categoria da intertextualidade para a constituição do implícito.
 
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No trecho “VOCÊ VAI DEVORAR ESTES QUADRINHOS DA TURMA DA MÔNICA”, chamamos a atenção dos alunos para os termos devorar, quadrinhos e turma. Conseguimos levá-los a perceber as categorias linguísticas ambiguidade e polissemia como formas de captura da adesão. DEVORAR dá margem a entendimentos, como: ler os gibis da Turma da Mônica, comer o chocolate da Nestlé. DEVORAR ainda estabelece relação com um quadro na parte inferior do anúncio em que o Cebolinha aparece diante da personagem Mônica, desenhando-a com dentes bem grandes e chamando-a de dentuça. Neste caso, ter dentes grandes seria vantajoso para “devorar” com mais facilidade as barras de chocolate. QUADRINHOS acaba por sugerir as Histórias em Quadrinhos e também o enquadramento do leitor no que é anunciado, o que se percebe também pelas imagens sobrepostas no anúncio. TURMA induz a pensar na identificação com um grupo que pode ser ficcional ou fazer parte do convívio do público-alvo. E o complemento DA MÔNICA, de certa forma, faz com que o adolescente se perceba como alguém à frente de seu grupo. A personagem Mônica, a líder do grupo, também aparece ao lado da barra de chocolate, como se estivesse fora do enquadramento, de forma a sugerir certa liberdade (algo que  perpassa pelos sonhos de muitos dos adolescentes). As barras de chocolate também levam a pensar sobre biscoitos ou figurinhas para colecionar: atividade prazerosa para a faixa etária alvo do anúncio. E ainda há algo que induz ao consumo do produto: VOCÊ VAI DEVORAR, como se alguma voz dissesse o que se deve fazer ou como se deve agir (uma espécie de contrato moral na interação verbal que espera do interlocutor determinada postura no eixo da conduta). Na propaganda, esse ato se faz presente também a partir das expressões: NESTLÉ COM OS SEUS PERSONAGENS PREFERIDOS, O CHOCOLATE QUE EU QUERO, COM NOVOS CARTÕES PARA A SUA COLEÇÃO. Observe-se ainda o quanto os demais termos (artigos, adjetivos, substantivos, preposições) fortalecem as intenções textuais que, mesmo camufladas, se tornam claras a leitores atentos, que olham com criticidade as diversas novidades que se apresentam.
Na sequência, “ESTA É UMA AVENTURA DELICIOSA DA TURMA DA MÔNICA: CHOCOLATE COM LEITE NESTLÉ COM OS SEUS PERSONAGENS PREFERIDOS EM RELEVO DE CHOCOLATE BRANCO”, a palavra AVENTURA se dá de forma intertextual porque faz alusão ao produto chocolate e a gibi (início das Histórias em Quadrinhos) de maneira a incitar o ato de comer chocolate delicioso e ler gibi preferido, COM OS SEUS PERSONAGENS PREFERIDOS: ação ousada da empresa no intuito de impulsionar o consumo. Pudemos perceber o quanto os adjetivos DELICIOSA e PREFERIDOS foram interessantes para caracterizar os substantivos aventura e personagens. E também o direcionamento pelo pronome SEUS: uma voz que fala no texto, dizendo ao leitor quem os seus personagens preferidos, levando-o a se identificar com a Turma da Mônica que marca presença na propaganda. Neste caso, para também “marcar presença”, se pede implicitamente a adesão do interlocutor junto à turma que aderiu a esse consumo.
Em “NESTLÉ TURMA DA MÔNICA. O CHOCOLATE DUAS VEZES MAIS GOSTOSO”, chama nossa atenção a expressão DUAS VEZES, por relacionar-se à ideia de quantidade: o dobro. Pode levar a pensar sobre chocolate e cartão-postal  (ao  ter  um,  terá  o  outro). E também incitar a ideia de dois mundos relacionados: o da Turma da Mônica e o do público-alvo. Ambos supostamente consumidores do chocolate divulgado. Também constatamos uma relação de poder estabelecida que, de certa forma, impõe como conduta a identificação do interlocutor com o produto e a marca: “NESTLÉ O CHOCOLATE QUE EU QUERO”. Quem diz o que se deve fazer e como se deve agir é uma voz que transparece apenas pelo reconhecimento das intenções textuais. Neste caso, a eficácia da palavra vai além da representação do produto ou da associação com as imagens do anúncio, pois se associa com o imagético do próprio sujeito. Para facilitar a memorização da mensagem e suscitar a adesão, cria laços de envolvimento afetivo para com o público-alvo que perpassam os estágios cognitivo (quando a mensagem chama a atenção), afetivo (desperta emoção, desejo ou simpatia) para o processo comportamental (o sujeito age, busca a experimentação daquilo que se comunica “por assim o querer”). A seguir, encontramos a parte que concentra o objetivo principal do texto: vender. “EM CADA EMBALAGEM DE TRÊS UNIDADES, UM CARTÃO-POSTAL GRÁTIS. AGORA COM NOVOS CARTÕES PARA SUA COLEÇÃO”. A expressão lembra ofertas em supermercado, por exemplo. Cartão-Postal foi retomado na propaganda em forma de premiação para quem fizesse a aquisição do produto veiculado. Neste caso, a intertextualidade tornou-se aparente pela relação estabelecida entre diferentes contextos, ao resgatar um costume de época diversa à atual, não como correspondência e sim como algo a ser colecionado. Uma estratégia interessante para atrair a atenção dos consumidores e, assim, estimular as vendas.
 
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NOVOS CARTÕES traz a ideia de novidade, o que chama a atenção de toda e qualquer pessoa. A palavra COLEÇÃO demonstra ao consumidor que uma aquisição apenas não basta para que tal coleção se efetue de forma completa. Assim, na busca dos cartões adequados, pode-se encontrar outros que não são. Na troca de cartões que pode ser efetuada entre os integrantes do público-alvo, também poderá se dar a propagação das ideias para incitar a adesão de novos públicos, o que acabará por gerar ainda mais lucro à empresa. Constatamos que, em cada compra de três unidades de chocolate, haveria apenas um cartão-postal. Então, questionamos sobre o real sentido da palavra coleção, que poderia ser vista por diferentes ângulos: Coleção de quem para quem? Percebemos essa palavra como ambígua, por se tratar de cartões para o consumidor, mas também de consumidores para a empresa. Ainda nos perguntamos sobre o fato de a propaganda divulgar “cartão-postal grátis” mas, ao mesmo tempo, ser possível adquiri-lo só com a compra efetuada: uma aparente gratuidade que, no entanto, deveria ser paga. Então passamos à  ANÁLISE DAS IMAGENS. Em destaque, aparece a personagem Mônica com sua fala num balão, igual ao das Histórias em Quadrinhos. Ela mostra-se sorridente e aponta para a barra de chocolate em que seu espaço parece estar vago. Parece convidar o interlocutor a ocupar aquele espaço e, assim, se integrar ao grupo (como líder). Ato que implica em aceitação do leitor que não é tido como um mero ouvinte, mas como alguém que interage com o texto. Neste caso, a interação é persuasiva porque tem o intuito de trazer o sujeito para a adesão do produto. A intertextualidade é feita com todas as imagens sobrepostas ao texto escrito da propaganda, que remetem aos gêneros Conto de Fadas, Histórias em Quadrinhos, Jogos e Brincadeiras da infância do público-alvo. O cenário é envolvente: a princesa Mônica no castelo, diante do príncipe, na companhia do seu coelho de estimação. Em outro momento, diante das barras de chocolate. Estas aparecem também em forma de peças do jogo dominó, como se a Mônica estivesse jogando e, ao mesmo tempo, se dá na própria propaganda a divulgação da embalagem do chocolate Nestlé Turma da Mônica. Pela figura da embalagem do produto, que integra a composição textual, percebemos NOVO e 3 em destaque: estratégia para chamar a atenção para a novidade que se apresenta e para a maior quantidade do produto que pode ser adquirida de uma só vez.
A COMPOSIÇÃO DAS CORES acaba por conotar a ideia de que não há preconceito, pois as barrinhas de chocolate são mescladas em preto e branco. As cores apresentadas são alegres e fortes: o fundo amarelo contrasta principalmente com o vermelho. O amarelo significa a simpatia e está vinculado ao sol e à alegria da luz. O vermelho transmite força e energia, chama a atenção e estimula a mente. A cor verde (como fundo para a imagem do castelo) simboliza a esperança e se relaciona com a natureza. A cor azul (no número três) significa maturidade, sabedoria, produtividade, além de ter um efeito tranquilizador para a mente. Pelo estudo efetuado, pudemos perceber que as cores afetam as pessoas e influenciam na compra de um produto. Devido às suas qualidades intrínsecas, interferem nos sentidos, emoções e intelecto, captando rapidamente (e sob um domínio emotivo) a atenção e provocando reações positivas ou negativas em seus observadores. Outro recurso importante, nesse sentido, foi a escolha do FORMATO DAS LETRAS. Estas se mostraram fortes e impactantes, principalmente as letras que compuseram a marca NESTLÉ. Assim, conseguimos perceber por que, no início dos nossos estudos, ao observarmos rapidamente a propaganda, vários dos alunos não recordavam de outras palavras visualizadas, no entanto, lembravam da marca.
Consideramos bastante inteligente a tessitura textual da propaganda que serviu de corpus para nosso estudo, pela escolha do formato das letras, pela escolha e disposição das palavras e das imagens. Acreditamos que o texto tenha cumprido com seus propósitos porque, com uma aparência agradável, chamou a atenção, incentivou a adesão do interlocutor, acabando por estimular a venda de determinado produto e marca.
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
O conjunto de atividades desenvolvidas junto ao Programa de Desenvolvimento Educacional foi uma oportunidade riquíssima que só veio somar e confirmar a necessidade do trabalho diferenciado com o ensino de Língua Portuguesa nas escolas. Por isso, manifesta-se aqui a convicção de que propostas de estudo relevantes como a  implementada são indispensáveis, pois sugerem trabalhos diferenciados com a língua. Compete ao professor o papel de dialogar, de fazer-se presente nas descobertas dos educandos, participando efetivamente de suas dificuldades e realizações como mediador do processo de ensino e aprendizagem, conduzindo o aluno, para que o mesmo possa compreender o mundo que o cerca com maior possibilidade de transformá-lo.

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Escapar das “armadilhas” persuasivas é um desafio que pode e deve ser vencido, mas exige comprometimento do leitor com a atualização constante de seus conhecimentos, o que se consegue com bastante leitura, pesquisa e estranhamento diante do novo que se apresenta, utilizando a “estratégia da dúvida”, que consiste em aprender a desconfiar mais das coisas sem acreditar em tudo o que se lê. Acreditamos na formação de leitores proficientes e, por isso, tivemos por preocupação tornar a atividade de leitura mais dinâmica e agradável ao aluno, o que possibilitou  olhares intertextuais ressignificados. Dessa forma, entendemos que o presente trabalho tenha se revelado capaz de instigar a reflexões interessantes no plano da intertextualidade como mecanismo de persuasão linguística e possa contribuir significativamente para a ação pedagógica na melhoria do ensino da rede pública paranaense e na formação de sujeitos capazes de se valerem da linguagem para a melhoria da qualidade de suas interações e para expandirem suas possibilidades de atuação social.
Espera-se que as atividades realizadas sirvam de base para trabalhos voltados ao estudo de elementos linguísticos e imagéticos, em aulas mais dinâmicas e significativas para a vida. Cabe ressaltar, no entanto, que o trabalho realizado não se caracteriza nem se propõe como um manual fechado, mas como um trabalho que pretende suscitar a outras reflexões e aprofundamentos com vistas a um ensino interativo e dinâmico, com profissionais que se atualizam constantemente.
Portanto, finalizamos estas páginas desejando a todos os envolvidos no processo educativo que trabalhos instigantes sejam desenvolvidos, proporcionando aos educandos reais oportunidades de entendimento e crescimento.

 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 
ABAURRE, Maria Luiza. Português: Contexto, Interlocução e Sentido / Maria Luiza Abaurre; Maria Bernadete Abaurre; Marcela Pontara. São Paulo: Moderna, 2010.
ANDRAUS, Gazy. As Histórias em Quadrinhos como Informação Imagética Integrada ao Ensino Universitário. Revista Comunicação & Educação. São Paulo: Paulinas, 2006.
BAKHTIN, Mikhail. Estética da Criação Verbal. Introdução e Tradução do Russo Paulo Bezerra; Prefácio à Edição Francesa Tzvetan Todorov. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.
BARROCAS, Sofia. A Importância do Conto de Fadas: O Mundo Mágico dos Contos Face à Rotina do Quotidiano. Disponível em: http://tapetedesonhos.wordpress.com/2007/08/30/viver-com-as-fadas/
CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. Série Princípios. São Paulo: Ática, 2006.
CONSOLI, Marcia Oberderfer. A Propaganda na Sala de Aula: uma Técnica Pedagógica para o Ensino de Recepção e Produção de Textos. Revista Voz das Letras. N 7. Concórdia, SC: UnC Virtual, II. Sem. 2007.
FELBERG, Jolite. Ler o que não está escrito. Disponível em: http://catandoleitores.blogspot.com/
FREITAS, Ana Karina Miranda de. Psicodinâmica das Cores em Comunicação. ISCA Faculdades: Limeira, SP -  Ano 4, N 12 - De outubro a dezembro de 2007.
GOMES, Maria Lúcia de Castro. Metodologia do Ensino de L. P. 20 ed. Curitiba, PR: Ibpex, 2007.
ILARI, Rodolfo; GERALDI, João Wanderley. Semântica. 4 ed. São Paulo:  Ática, 1990.
KLEIMAN, Angela. Oficina de Leitura: Teoria e Prática. 10 ed. Campinas, SP: Pontes, 2004.
KOCH, Ingedore Grunfeld Villaça. Ler e Compreender: os Sentidos do Texto / Ingedore Villaça Koch e Vanda Maria Elias. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2010.
MARTINS, Maria Helena. O que é Leitura. São Paulo: Brasiliense, 1984.
NASCIMENTO, Suzete Silva. Ethos, Argumentação e Détournement Proverbial: Análise Discursiva de um Título Publicitário de Veja. Revista Línguas & Letras. V 10 - N 18. Cascavel, PR: Edunioeste, 2009.
OLIVEIRA, Esther Gomes de; AZEVEDO, Melissa Melissa Carolina Herrero Rezende de; NASCIMENTO, Suzete Silva. Recursos Linguístico-Argumentativos no Discurso Publicitário. Revista Línguas & Letras - V 9, N 16. Cascavel, PR: Edunioeste, 2008.
OLIVEIRA, Paulo Alexandre de. Comunicação de Marketing e a Percepção do Consumidor em seu Processo Decisório de Compra. Maringá, PR: Eduem, 2005.
PRETTO, Nelson. Mídia, Currículo e o Negócio da Educação. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2004.
SELLA, Aparecida Feola; CORBARI, Clarice Cristina. Discutindo o Ensino. Cascavel, PR: Edunioeste, 2009.
SILVA, Luiz Martins da. O Discurso Publicitário. Revista Discutindo Língua Portuguesa. N 14. São Paulo:  Escala  Educacional, 2011.
TASSO, Ismara Eliane Vidal de Souza. Vinhetas Televisivas: Discurso, Identidade e Representação. I Colóquio Internacional de Análise do Discurso. São Carlos, SP: EdUFSCar, 2006.


ANEXO

 


 



















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ESSA PUBLICAÇÃO TAMBÉM FICARÁ DISPONÍVEL NO PORTAL EDUCACIONAL DO GOVERNO DO PARANÁ - CADERNOS PDE - TURMA 2010 / 2012:
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/
 
 AS PRÓXIMAS PUBLICAÇÕES TERÃO COMO TEMÁTICA:


- O TEXTO E A MULTIMODALIDADE TEXTUAL;

- SIGNO LINGUÍSTICO;

- REFERENCIAÇÃO.
 

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sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

E vamos a 2013 ...

O ano de 2013 começa em grande estilo na minha vida,
pois passo a virada acompanhada da pessoa que mais amo
(minha filha Beatriz) e de amigos, num ambiente festivo ...
em paz!!!


http://www.ministterio.com.br/wp-content/uploads/2013/01/DSC_0530.jpg



Em seguida, recebo por e-mail de meu amigo Manoel um vídeo bem interessante.
É uma música em que se pede a Deus proteção ao mundo.
Quem canta é um grupo de pessoas de diferentes países, com ritmos diversificados,
unidos na mesma intenção de passar uma mensagem de vida.
Gostei muito de assistir e recomendo. Veja:



Também segue um vídeo com um texto criativo porque bem elaborado,

enviado a mim por minha irmã Sílvia.

É o texto "NO FRIGIR DOS OVOS" de Guaraci Neves.





Não posso deixar de citar o texto vencedor do XVI Concurso de Oratória,
promovido em outubro de 2012 pelo Colégio Estadual Wilson Joffre - Cascavel - PR.
Parabenizo todos os participantes (vencedores ou não) e, em especial,
Weslley Aleixo da Silva, autor do texto a seguir.

Mais informações podem ser buscadas em: http://www.wilsonjoffre.com.br/noticia/xvl_concurso_de_oratoria



No meio do caminho tinha uma pedra!
                                                                                                 Weslley Aleixo da Silva
A juventude é por muitos definida como a melhor fase da vida. Tempo de descobertas de novas experiências, período criticamente importante na vida de um individuo. Pressão psicológica, criticas construtivas e destrutivas, o momento de tomar posicionamento mediante as pedras encontradas no caminho. Situações que costumam ser conhecidíssimas dos jovens de hoje em nossa sociedade. É nesse período que se determina o destino, se será próspero ou não, depende de como são aproveitadas as oportunidades que são oferecidas e do tamanho da dedicação de cada um. O futuro bate a porta, MAS será que a coragem? Será que há preparação o suficiente para abri-la? Como saber qual a melhor opção diante das pedras? Qual o lugar do jovem na sociedade hoje? E amanha?
O tempo que é tão precioso, e que se vai tão rápido, tem sido devorado por coisas banais, totalmente desnecessárias, que tem tomado o lugar de outras que realmente são de grande importância, porque se acredita que o futuro está longe de chegar. “carpe diem”, esse é o lema, aproveite o hoje. Essa expressão deveria ser empregada ao contrário do que foi sugerido pelo poeta romano Horácio que viveu 65-8 AC. Aproveitar o hoje sim, mas construindo uma base sólida para um futuro promissor com muita prosperidade em todos os aspectos da vida. Quem nunca ouviu aquelas frases do tipo: “Os jovens são o futuro da nação” ou então “os jovens são os adultos de amanha”. Fala-se tanto em futuro, em amanhã, que não se percebe que esse futuro, esse amanha estão cada vez mais próximos de se tornar o presente! E esse presente pode não ser tão agradável de receber.
Redes sociais, por exemplo, é difícil encontrar um único jovem que não tenha, ou que nunca teve um perfil em mais de uma delas. Centenas de milhares de jovens enchem essas redes com um incrível e detalhado mapa de suas vidas e seus interesses. Uma pesquisa divulgada pela companhia Nielsen, líder global em pesquisa de mercado, presente em mais de 100 países que tem sua sede localizada em Nova York, mostra que 80% dos usuários de internet no Brasil frequentam este tipo de site. Não é mera implicância ou bronca sem sentido, mas é necessária uma mudança de atitude. É preciso distribuir melhor o tempo e usar parte dele para solidificar o resto da vida. Pensar e seguir desde já os princípios éticos que nortearão toda essa vida. Além da educação familiar, faz-se necessária a realização de cursos profissionalizantes, hora estipulada para leitura, quando estiver on-line aproveitar para obter informações globais como: notícias do mundo político, do mundo econômico, enfim, coisas que estão ocorrendo em sua cidade e no seu país, e não só usar o tempo para curtir, comentar e compartilhar post. A vida social é importante, mas não mais importante que sua preparação para o futuro.
A mídia tem uma influencia massacrante sobre o estilo de vida das pessoas, e grande parte dos jovens, se rende acaba fazendo coisas para agradar a uma determinada turma, mesmo que às vezes contra o que acreditam, e nem sempre essa turma compartilha as mesmas ambições. Então este é o primeiro desafio, a primeira pedra. A decisão correta é escolher amigos que não tiram o foco da trajetória, e ter sempre em mente que o que te faz bem não é aquilo que te da um prazer momentâneo, é preciso lembrar que o futuro é muito importante e depende das ações do presente, portanto ter certas atitudes que prejudicam sua saúde física e mental porque todos estão fazendo é boicotar seu posterior sucesso.
As pressões que os jovens sofrem hoje, as críticas, podem até ser pedras no caminho, porém as escolhas é que definirão o rumo da vida. Alguns poderão escolher carrega-las, outros rola-las, talvez alguns, contorna-las, haverá aqueles que sentaram nelas e ficarão esperando... Esperando..., MAS com certeza haverá aqueles que as escalarão, ou as transformarão em instrumentos de ajuda. E ao mesmo tempo em que se transformam as pedras, há também uma transformação no indivíduo, na verdade as pedras marcam, e ficam para sempre na memória. Uma vez um autor desconhecido, no entanto muito sábio escreveu:
... A PEDRA...”
O distraído nela tropeçou...
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida, dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já, Davi, matou Golias, 
Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura...
 
E em todos esses casos, a diferença nunca esteve na pedra, MAS no homem!
              A diferença está em você. Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.
 
Outro texto que merece reconhecimento é o de Álvaro Bizinela, acadêmico da Unioeste, 
pois foi o vencedor do 6° Concurso de Oratória realizado entre as universidades de Cascavel.
 
Consciência Cidadã: Voltada ao meio-ambiente?
                                                                                                                                             Álvaro Bizinela




O que norteia as atitudes de um ser humano? O homem ainda aspira algum ideal de humanidade? É certo que cada ser, único como é, possui seus próprios objetivos, e pode-se dizer que são os mais diversos possíveis. A grandeza humana faz com que pensemos que se pode fazer tudo que nossa mente e nosso corpo permitem e de fato, podemos. É aí, portanto, que os homens caem e levam consigo tudo aquilo que está ao seu redor.
Ao se pensar na grandeza do Universo, e ao percebermos o quão importantes somos nós, para o equilíbrio desse Universo, entendemos o quão responsáveis devem ser as nossas atitudes.
Ao se observar o exemplo de alguns países que possuem um modelo de desenvolvimento sustentável mais avançado percebe-se que, o foco primordial está fundamentado na educação. Não aquela educação que ensina a língua, a matemática ou as ciências, embora elas sejam essenciais ao desenvolvimento humano. Mas a educação moral. Essa é o alicerce de cada indivíduo, pois é aí que os seres citados por todos como transformadores do futuro são formados, ou seja, as crianças.
Desde pequenas, elas são orientadas sobre como se cuidar o que machuca o que dói o que faz chorar. Quantos “nãos” os pais dizem a seus filhos, preocupados com sua integridade física, não é? Mas e a integridade moral? É uma preocupação essencial na vida das pessoas? Antigamente, perguntava-se, que planeta deixaríamos aos nossos filhos hoje, acrescenta-se outra questão: Que filhos estamos deixando ao nosso planeta? Ensina-se, pela cidadania, a não cometer atitudes que firam os direitos alheios, pela lei dos homens e pela lei de Deus. Mas e a lei da natureza? De onde, aliás, provém o sustento humano.
O solo, as árvores, as águas, o ar... são responsabilidades nossas, afinal, nós é que somos os agentes do presente. Paremos de protelar as atitudes para o futuro, e ajamos agora. Mostremos a força de uma espécie que não quer ser a responsável pelo desequilíbrio no mundo sejamos, de fato, cidadãos. E o que cidadania ter a ver com o meio ambiente? Nada além de: tudo! Um ser que não é capaz de lutar em prol da coletividade, não assume responsabilidades, nem sociais, nem ambientais.
Balizar o conceito de cidadão é ter consciência dos deveres sociais se as pessoas não forem convictas de que precisam participar ativamente do processo de desenvolvimento sustentável de seu país, não se chegará a lugar algum. O lema positivista de nossa adorada flâmula nos convoca à ordem e ao progresso. Para sermos organizados, basta cumprirmos os nossos deveres de cidadãos, mas como progrediremos se não fazemos mais do que nossa obrigação?
É preciso doar-se, aos outros e ao planeta. É preciso identificar nos deveres, não compromissos com os quais somos fadados a conviver até o fim da vida e sim, como possibilidades que temos enquanto agentes transformadores da história, podendo mudar aquilo que não é certo.
Diariamente nos deparamos com situações, nas quais a comodidade nos direciona de modo a não agir a favor do meio-ambiente. Cada agente deve contribuir na esfera de suas condições. Que pessoa, por menos informada que seja, não sabe separar materiais recicláveis em sua residência? Mas e o serviço municipal, faz o restante do processo? É preciso que haja uma ação em conjunto.
Porém, em um cotidiano apressado, atarefado, em que cada dia devia ter umas trinta e seis horas o espírito de cidadania se oculta frente às urgentes necessidades de mudança no modo em que tratamos o ambiente. É difícil algum governo ou grande empresa dar mais ênfase à natureza que à economia em tempos de crise. Hoje deixa-se de lado aquilo que não inerente à riqueza material.
Queiramos nós que futuramente, esse mesmo ambiente, que hoje degradamos e julgamos ser de segunda necessidade, não nos vire as costas, e que tenha piedade de nós. Porque hoje não se tem pena da natureza perante as queimadas, que provocam o aquecimento global, que gera o efeito estufa, que derrete as calotas polares e que destrói a camada de ozônio.
Esse mesmo homem que se julga tão superior aos outros seres, por falha em seus princípios de cidadania, está acabando com outras espécies e com seus lares. Nossos lares. Será que é preciso que a humanidade se acometa de doenças respiratórias? Que metade da população sofra com o câncer de pele? Que não possamos mais sair de casa sem óculos escuros? Para que paremos e pensemos, para onde caminhamos. Isso vos parece muito surreal? Não apostemos nisso, não lutemos contra a natureza, não lutemos contra nós mesmos.
Dizem que só se aprende a nadar quando a água ‘bate’ na cintura, mas será que haverá, no futuro, água assim, em abundância, para que isso ocorra? Seria cômico, se não fosse desesperador. Os homens possuem sim, ideais de humanidade, os homens conhecem seu lugar no planeta o que lhes falta, é aprender com o meio em que vivem, é preciso ser grande o bastante para reconhecer os erros enquanto ainda dá tempo. E há tempo, não aceitemos a fome e miséria, digamos “não” à degradação ambiental.
Transformemos os nossos deveres de cidadãos em atitudes em favor do meio ambiente, em favor das espécies, especialmente a nossa. E como fazê-lo? Sentados de braços cruzados, como se não fôssemos responsáveis por nada disso é que não é.
 

 
Desejo a todos que 2013 venha cheio de sucessos, com muitas lutas e conquistas...
Para isso, sirvo-me das palavras de Drummond, buscadas em:
Mensagem

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir a ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.



 
 

domingo, 30 de dezembro de 2012

A proficiência em produção e compreensão textual no Brasil




Geralmente ouvimos ou lemos qualquer coisa que fale sobre educação brasileira e isso não nos causa mais impacto algum nas emoções, tão acostumados estamos com situações desconfortáveis nas escolas e atitudes de pouca força na resolução dos problemas.

Enquanto isso, a posição ocupada por nós, brasileiros, na avaliação do Índice Global de Habilidades Cognitivas e de Desempenho Escolar, realizada pela Economist Intelligence Unit (EIU) em 2012 continua aviltante. O Brasil se classifica em penúltimo lugar em uma lista de quarenta nações. Esse resultado demonstra o quanto a atual prática pedagógica que se revela no contexto social brasileiro permanece distante da proficiência em produção e compreensão textual almejada por estudiosos diversos nas últimas décadas.

Como alerta Carvalho (2009) ao tratar dos “Empréstimos Linguísticos na Língua Portuguesa”, a dominação pelos meios culturais é mais eficiente e menos incômoda, resulta da sobreposição de uma cultura sobre a outra. A linguagem age monologicamente, aliada a uma consequente transferência de terminologias, de modo a suprir as necessidades dos países que não patenteiam tecnologias. Todavia, junto ao ato de importar palavras está o aspecto político-ideológico que subjaz a cada empréstimo, pois também se importa “o objeto, a ideia, o modo de vida de uma nação e isso gera mais dependência (econômica, cultural, tecnológica) para quem importa”.

São muitos os estudos atuais que abordam os fenômenos da linguagem como síntese de múltiplas determinações sócio-históricas no intuito de formar sujeitos com mais atuação social e maior capacidade de dicernimento sobre os fatos da vida. Contexto que exige da escola maior preparo ao explorar conhecimentos indispensáveis à construção da cidadania e espera do aluno compromisso e responsabilidade com a própria aprendizagem.

Essa busca de formas mais eficazes para a formação de sujeitos capazes de estabelecer relações de interação e de transformação no espaço e nas condições sócio-históricas em que vivem se confronta com os índices sociais de desempenho educacional brasileiro. O resultado acabou por mostrar o quanto ainda é preciso avançar na direção de um ensino melhor e o quanto se faz necessário que o processo de ensino e aprendizagem seja realmente visto como importante meio de construção de significado com relação à vida social por todos os que de uma forma ou outra se inserem no processo educativo como um todo.

Estamos certos de que uma parte significativa dos professores abraça a causa da educação por reconhecer o valor de uma educação consistente, olhar para seres humanos e lutar para conseguir fazer a diferença. Por outro lado, não consideramos que os educadores (mesmo os pouco qualificados ou os desmotivados diante do salário que recebem, das instalações e recursos disponíveis, da violência e indisciplina que permeiam as relações nos ambientes escolares) mereçam a titulação de exclusiva culpabilidade pelos persistentes problemas educacionais.

Em outra via de análise, salientamos a falta de leis que amparem esses mesmos educadores no momento em que ensinam regras para disciplinar a mente e a conduta que o mundo dinâmico de hoje exige de cada cidadão.

Também reconhecemos a carência de formação de valores (como o de respeito ao outro) por parte de muitas famílias, bem como o pouco acompanhamento das mesmas na cobrança de maior compromisso dos estudantes para a conquista de resultados mais promissores em suas devidas aprendizagens escolares, com maior esforço, disciplina, frequência e aproveitamento.

Evidenciamos as perspectivas que a carreira de educador propicia, fazendo que os quadros do ensino venham sendo sistematicamente ocupados também por pessoas pouco qualificadas ou comprometidas com uma educação de qualidade.

Ressaltamos a disparidade entre o montante investido nas universidades públicas, no ensino fundamental e médio. E destacamos a necessidade de aumento do PIB per capita brasileiro aliado à boa gestão da educação no país.

Essa referida problematica pode explicar em parte os resultados pouco animadores do país em nível educacional, pois acaba por dificultar de fato a ascenção cultural no contexto social brasileiro. Contudo, insistimos em acreditar que sonhos são possíveis e persistimos no desvendar dos mistérios linguísticos ocultos nos intentos textuais daqueles que os produzem.

Como educadores comprometidos, também não desistimos de revelar aos estudantes certas verdades camufladas em jogos de palavras bem elaborados ou suas possíveis realizações em contextos diversos, para que realmente consigam se tornar sujeitos de si mesmos e se ampliem possibilidades de atuações sociais mais promissoras.

Embora questões como essas suscitem alto grau de reflexão e tomada de atitudes em alto grau de comprometimento, o que nos ocorre é a sondagem de práticas pedagógicas que possam ser eficazes para minimizar as carências do ensino público no país, sendo o que está ao nosso alcance fazer nas condições atuais referidas de ensino.

Desculpem se só ocorreram besteiras mal-ditas nestas linhas que, de certa forma, importam...
 
Gostei bastante dos comentários no texto abaixo. Faz parte das coisas que eu gostaria de dizer nas vezes em que me faltou coragem...    Se possível, leia.
 
Fontes:

Empréstimos Linguísticos na Língua Portuguesa - Nelly Carvalho SP: Cortez, 2009.